Bonsai é uma palavra japonesa que significa árvore em vaso. Apesar de milenar, a ideia é simples mas desafiadora: reproduzir uma árvore normal em miniatura e cultivá-la na menor quantidade possível de terra. Os japoneses são conhecidos admiradores da natureza. Tentar reproduzir em um vaso a forma de um pinheiro-negro natural, para eles, é a maneira de tentar homenagear o “divino” e buscar evoluir como seres humanos.

Cultivo bonsais há mais de 10 anos. Mas o que isso tem a ver com as marcas? Tudo, quando se fala em algumas questões imprescindíveis na construção de suas identidades.

1. Essência 

Assim como as marcas, as árvores não mudam sua essência. Um ulmus não será um acer por mais que deseje o bonsaista. O mesmo acontece com a natureza de uma marca. Não se muda com design ou propaganda.

2. Observação e desenho

Um bonsai perfeito reproduz, em detalhes, uma árvore natural. Para isso, passamos muito tempo observando sua natureza. Assim como os bonsais, toda marca tem um projeto, um desenho do que desejamos como forma final.

3. Modelagem

Os galhos dos bonsais são “aramados” para que fiquem na posição que planejamos. Os arames de alumínio ajudam a dar forma às copas das plantas para que reproduzam as árvores mais velhas encontradas na natureza. Assim como os galhos, as experiências das marcas devem ser moldadas para materializarem as emoções ou percepções que queremos.

4. Tempo 
Ao moldar uma piracanta perguntei ao meu mestre, Sr. Kajihara, quanto tempo deveria deixar o arame. Ele respondeu no seu português precário: “um tempo”. Insisti: duas semanas? E ele, com sua calma oriental: “dois anos!” Uma marca precisa de tempo para que seus valores sejam reconhecidos. Somente uma sequência consistente de experiências constrói uma identidade.

Por isso, bonsaistas e “branders” têm que desenvolver uma mistura de virtudes fundamentais: paciência e coerência.

Arigatô