O que isso tem a ver com design e marcas? Talvez nada. Ou tudo.

Sou apaixonado por coisas antigas. Ou melhor, por coisas repletas de história.

O meu Fusca 61 não passou por redesign. Manteve seus pneus faixa-branca e suas rodas bicolores. Seu motor 1.200 ainda arranca suspiros de pessoas que veem nele muito mais que um carro, mas suas próprias lembranças.

Assim como meu fusca azul-pastel, várias Marcas ainda são testemunhas vivas do design de um tempo que não é mais o nosso. Marcas que conquistaram uma legião de consumidores fiéis que hoje, com seus 50, 60 anos, continuam consumindo e advogando em nome delas.

Pó Antisséptico Granado, Phebo, Água de Colônia, Pomada Minancora, Biotonico Fontoura. Marcas construídas com muitas e boas histórias.

Se tiver oportunidade de se sentar com sua avó ou avô, certamente ouvirá sobre o baile de formatura, o primeiro namorado ou sobre a primeira vez que fez a barba – lembranças repletas de Velva, Gumex e Chanel 22. Alguns desses produtos que ainda existem, guardam nos logos e embalagens, referências de seus desenhos originais.

Não sou contra as evoluções e inovações. Muito pelo contrário – acho o New Beetle um belo resultado de redesenho de um clássico. Sou totalmente a favor de atualizações competentes, bem realizadas, ­ resultado do conhecimento profundo da essência e do conceito de uma Marca. Mas talvez acredite que o que é realmente bom não precisa de transformação. Apenas evolução. Estão aí as Havaianas que não me deixam mentir.

Hoje vemos uma porção de “carrinhos” com conceitos charmosos e sustentáveis. Mas, convenhamos, não fizeram nada mais que reviver o “Think Small” do meu bom e velho Fusca.


Zeuner Fraissat